terça-feira, 23 de março de 2010

Furdunço

Acompanhar a nova onda do imperador, digo do mercado midiático, traz muito desconforto como profissional da área. Sentir isso já nem é novidade. Quantas discussões estão girando em torno do casal nardoni. E tem mais: a pixação popular tanto nos muros perto de onde os nardoni passam, quanto nos 'muros virtuais'. Também sem novidades: na net encontramos de tudo, comparável e até superlativo ao que poderíamos encontrar fora dela, a diferença é o universo digitalizado. Fico imaginando as pessoas que carregam esse sobrenome. Levam pedras literais e virtuais. Tem inclusive artigos na Internet sobre as ofensas recebidas e as defesas necessárias.
Entre outras possibilidades de reflexão sobre o que a mídia nos 'brinda', lembro de uma entrevista do pai-nardoni comparando esse caso a julgamentos errôneos que já ocorreram na história, com a força da mídia. Disse que, caso os nardoni sejam condenados, será mais um veredito tipo Escola-base, lembrando-nos da famosa condenação midiática antecipada, comprovando-se depois que os donos da escola eram inocentes às acusações de pedofilia. Fora tudo comoção provocada pelo fanatismo acelerado pelo jornalismo dito sério.
E agora? o que esses sete jurados poderão encontrar como prova que chegue a uma sentença justa? Eles estão com laudos e informações menos subjetivas do que nós, pois, o que temos é o acesso à informação filtrada, digerida por vários olhares e recortes possibilitados pela complexidade que compõe a mídia. Não temos nada para julgar ou sentenciar. É certo que está criminalizada a situação. O casal é culpado de uma forma ou outra, tratando-se de uma criança indefesa, que deveria ter toda a sua vida resguardada pelos adultos que a tutelavam. Ocorreu o ato violento. Veio a morte de forma cruel. 
O que está sendo julgado, na verdade, é a intencionalidade de matar. Isso que pesa. Gera uma comoção tão grande que, para muitos brasileiros, é praticamente impossível não reagir. Os que não suportam qualquer tipo de passividade antecipam julgamentos, sentenciam, pixam, querem opinar e encontrar um modo de expor sua indignação e sua ira.  Mas onde e como mensurar essa intencionalidade?
Vem o mercado midiático e nos oferta todo tipo de ângulo, nuances e toda espécie de reconstituição possivel. Já convenceram praticamente à maioria. Isso se nota pela tendência instaurada nas comunidades encontradas no orkut e outras redes sociais.
Apesar das muitas manifestações de condenação antecipada, ainda encontramos pessoas que sentem seus pesares e suas dores com a imensa esperança de um julgamento justo, independente das abordagens das notícias ou do número de inserções da mídia.Também creio que ainda há como aguardar a sentença possibilitada pelo bom-senso dos sete jurados escolhidos. Tiveram acesso a dados que os gestores e envolvidos no processo conseguiram reunir, além de estão diretamente envolvidos com a responsabilidade que lhes pesa: sem cortes ou filtros para uma boa imagem ou para encaixe da palavra na coluna do jornal.

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