quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Comunicação solidária é tema de encontro internacional em Porto Alegre

O Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe reuniu comunicadores para discussão de uma cultura mais solidária e de respeito à diversidade cultural, ocorrido entre os dias 3 a 7 de fevereiro de 2010, em Porto Alegre. A programação do evento foi realizada de forma simultânea ao Encontro de Jovens, compondo-se de conferências, painéis, seminários, oficinas, mesas-redondas, entremeada por debates, partilha de experiências e manifestações folclóricas. As discussões tiveram como base três eixos temáticos: a) Novos cenários políticos e sociais latino-americanos e os processos de comunicação; b) Economia e comunicação na era digital; c) Comunicação no diálogo das culturas.

Como resultado, o Muticom aprovou a Carta de Porto Alegre, contendo análise dos "Processos de comunicação e cultura solidária" debatidos durante mais de 40 horas por estudiosos, técnicos, especialistas e atuantes da comunicação na América Latina e países caribenhos.

Também foi publicado o livro em versão eletrônica “Mutirão de Comunicação: textos acadêmicos”, organizado pelos professores Pedrinho A. Guareschi e Maiko Deffaveri. De acordo com os responsáveis, o formato digital facilita o acesso aos interessados em prosseguir nas discussões, bem como àqueles que se encontram distantes, em outros países latinos e caribenhos. São 61 contribuições escritas em espanhol e português, de acordo com o lugar e a cultura autoral. São contribuições teóricas e experiências de novas práticas comunicacionais que podem ser acessadas no http://www.muticom.org/internet/index.htm.

Cecília de Paiva, Jornalista, texto para publicação como colaboradora da Revista Missões.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Presidente Chávez defende poder comunal na Venezuela

Antes de fazer qualquer piada ou brincadeira, primeiro tem que compreender, aí sim, fazer piada e brincadeira com as próprias mazelas, e não com a dos outros...


Presidente Chávez defende poder comunal na Venezuela

http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=164354&Itemid=1

Caracas, 21 fev (Prensa Latina) O presidente venezuelano, Hugo Chávez, destacou hoje o caráter democrático e renovador da Lei Orgânica do Conselho Federal de Governo, promulgada ontem, e que aponta para o fortalecimento do Poder Comunal neste país.

A melhor e a mais radicalmente democrática das opções para derrotar o burocratismo e a corrupção é a construção de um Estado comunal capaz de ser um esquema institucional alternativo na mesma medida em que é reinventado permanentemente, asseverou o presidente.

Em sua habitual coluna dominical Las líneas de Chávez, o presidente bolivariano destacou que a nova lei abre ainda mais as portas para a distribuição do poder nas mãos do povo.

Dessa forma, ressaltou, o Estado adquire maior eficácia e eficiência, sustentado na unidade como premissa para cumprir com as funções que a constituição outorga.

"Uma e outra vez eu disse: a realidade territorial venezuelana deve ser transformada e, por isso, a necessidade de configurar uma geometria do poder que se transforme na reordenação popular, comunal e socialista da geopolítica da Nação".

O presidente recordou a frase do Libertador Simón Bolívar quando escreveu: Eu anteponho sempre a comunidade aos indivíduos. "Tenho aqui o espírito e nervo motor do nosso Bolivarianismo atual, o comunal, o social antes de mais nada e sobre todas as coisas".

A recente legislação foi divulgada no parque El Calvario de Caracas, onde se inaugurou uma estátua do General Ezequiel Zamora, líder do campesinado, a 151 anos da Revolução Federal (1859-1863).

Não podíamos dar a Zamora, então, maior homenagem que a entrega ao nosso povo de uma lei destinada a contribuir com sua libertação definitiva, sentenciou.
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ainda em CANCLINI

Para quem pesquisa os ESPETÁCULOS NA MÍDIA, ainda na entrevista da CHASQUI, CIESPAL:

Hace pocas semanas Alejandro Piscitelli dijo en una entrevista que el docente debería ser como Dr. House, John Locke o Michael Jackson, ¿el sistema educativo está preparado para estos perfiles de un docente que sea más cuestionador que solucionador de problemas y que además utilice toda la parafernalia espectacular para llegar mejor a los estudiantes?

En parte es una sugerencia útil pero me parece que uno podría hacer varias aclaraciones:

La primera es que ciertos hallazgos de espectacularización, de seducción mediática, que uno encuentra en estos personajes de los medios ya existían anteriormente en cierta literatura que se publicaba solo en papel, desde los autores de las novelas de folletín del siglo XIX hasta figuras como Umberto Eco o Susan Sontag que supieron incorporar a sus mensajes las estrategias comunicativas de fascinación de los lectores o de las audiencias en otros medios.

La segunda aclaración es que la tarea de la escuela y de los medios llamados culturales, como la televisión cultural, que no es una denominación muy feliz, tendría que mostrar a las audiencias y a los alumnos que el mundo no acaba en la pantalla, y que a veces acaba mal, como le ocurrió a Jackson, que hay otros mundos posibles, que hay otros modos de revisar el lenguaje, las relaciones entre cultura y espectáculo, entre novela y video. La tarea de la educación en la actualidad es, en gran medida, cómo usar esa enorme oferta que vienen en todos los servicios digitales, cómo orientarse en ese universo donde es difícil discernir. Y a su vez, la posibilidad de crear con esos recursos. La concepción misma de crear ha cambiado, a partir de estos nuevos formatos e intermediarios.

Canclini na Chasqui de agosto

Entrevista muito interessante com Néstor Garcia CANCLINI na Revista CHASQUI, CIESPAL

Desinformación y reconocimiento: Dos nuevas categorías en la sociedad actual


Colocações de um grande estudioso no alto de suas observações e com algumas obviedades poucos perceptiveis pela maioria. Destaco uma pergunta que merece ficar no banco de dados para utilizar depois..

Hay quienes dicen que hablar de consumo es ser mercantilista y muchos comunicadores van en contra de esa propuesta. ¿Cuál es su opinión?

Es una vieja discusión. Ya en los años ochenta los estudios que se hicieron en América Latina, en Inglaterra, en Francia, distinguieron entre consumo de bienes materiales y consumos simbólicos, y se reconoció la importancia de la dimensión simbólica no monetaria o no mercantil en los procesos de consumo.

Las discusiones más interesantes fueron las que llevaron a nombrar los procesos de consumo como procesos de apropiación, recepción, a buscar otro tipo de nombres que reconocieran el papel activo de los consumidores. En rigor, en las teorías contemporáneas del consumo, también se habla de que el consumidor no es un ser pasivo, sino un actor que ni siquiera está al final del proceso de producción-circulación, sino que a veces puede generar producción… Se habla del reciclaje, del uso del consumo como un momento creativo que desencadena nuevos ciclos en la circulación de los bienes.

Un Dj, por ejemplo, toma un producto que preexistía como disco, pero con eso crea otro que podemos decir surge del consumo, del acto de usar el disco, pero genera otras grabaciones de esa experiencia, un prestigio, una circulación del propio Dj como actor cultural. Entonces, lo que vemos es un proceso más bien circular, poco centralizado, en el cual los distintos aspectos del consumo cultural, tanto material como simbólico, se reordenan constantemente como destinos y como iniciadores de los procesos culturales.

Entrevista completa no http://chasquirevista.wordpress.com/2009/08/12/desinformacion-y-reconocimiento-dos-nuevas-categorias-en-la-sociedad-actual/

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Muticom: Jovens questionam definição de cultura solidária

Jovens de diversos países latino-americanos e caribenhos se reuniram no auditório da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, para debater sobre cultura solidária no Encontro Continental de Jovens, realizado nesta terça-feira, dia 2 de fevereiro. O tema ‘Dialogando e transmitindo cultura solidária' foi conduzido por Pedro Sánchez, Secretário Executivo da Organização Católica Latino-americana e Caribenha de Comunicação - OCLACC, com palestras do jornalista e professor Élson Faxina e do músico uruguaio Daniel Drexler.

Oriundo de uma família de músicos, Drexler defendeu a integração latino-americana por meio da valorização cultural e autoral, sendo necessário diminuir a distância relacional existente entre os países latino-americanos. Para ele, a solução está na música "que é capaz de ligar diversos pontos comuns entre as regiões distintas, a exemplo do sul do Brasil com o Uruguai e a Argentina. Nessa região, já começamos a fazer encontros entre músicos para trocar ideias e formar parcerias entre os autores", disse o músico. De acordo com Drexler, esse formato faz gerar tendências musicais e culturCecília de PaivaDebate durante Encontro de Jovens Comunicadoresais, além de redes de trabalho coletivo, "construindo produtos de alta qualidade não somente em relação ao país de origem do autor, mas de toda a América Latina", acredita Drexler.

Para o professor Élson Faxina, o problema está na questão da exploração entre os indivíduos, e que deveríamos provocar mudanças em vez de tirar proveito da sociedade. "Esse é um desafio que nos toca sempre, principalmente aos jovens que anseiam mudanças rápidas e eficazes. Estamos em um momento de revisão da sociedade, e temos muito mais dúvidas que certezas", disse Faxina.

Após as propostas da mesa, a plateia apresentou suas considerações, com jovens buscando respostas e ao mesmo tempo apontando soluções relativas ao tema proposto e sobre as significações dos termos debatidos. A jovem peruana Nina, por exemplo, foi incisiva na proposta de reflexão acerca da distinção entre interculturalidade, pluriculturalidade e relações entre as culturas. Para ela, a compreensão facilitaria o intercâmbio de ideias e favoreceria o desenvolvimento econômico.

Outras colocações e experiências foram expostas e comentadas, chegando a conclusão de que é preciso construir um mundo de comunhão, no formato que a humanidade precisa e não de acordo com o capitalismo ou como a mídia o apresenta.

* Cecília de Paiva, jornalista, revista Missões no Muticom em Porto Alegre.

Fonte: Revista Missões

FSM: Ministério Público busca maior interação com a sociedade

29/01/2010 | Cecília de Paiva *

O tema "Ministério Público e Direitos Humanos: a década que passou e a década que virá" provocou mais uma série de debates entre os participantes do Fórum Social Mundial 10 anos. O encontro ocorreu na tarde do dia 28 de janeiro no Palácio do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, com a presença de representantes dos Ministérios Públicos (MP) e de organizações da sociedade civil, tendo ao final, a presença do sociólogo Boaventura de Souza Santos, que congratulou o encontro.

Em sua breve intervenção, o sociólogo e escritor português afirmou que, "todos podem respirar mais livremente no Rio Grande do Sul com ações desse tipo. Ações assim contribuem para cada um de nós. Com isso, os magistrados do Ministério Público contribuem com o futuro de seus filhos e netos, para os brasileiros, e para todo mundo que procura hoje seu espaço," destacou.

Cecília de PaivaMembros do Ministério PúblicoPara os membros do Ministério Público, além de avaliarem os últimos dez anos da Instituição, o encontro contribuiu para planejar a próxima década na atuação em favor dos Direitos Humanos. Após a abertura do encontro pela procuradora-geral de Justiça, Simone Mariano da Rocha, os debatedores apontaram aspectos negativos, situações favoráveis e possibilidades de uma futura atuação baseada no diálogo e na maior interação entre o MP e a sociedade.

Na opinião do presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG), Olympio de Sá Sotto Maior, existem muitas leis que "não pegam" e são exatamente essas que deveriam garantir os direitos da maioria. Em contrapartida, "as leis que interessam aos grupos hegemônicos, aos detentores do poder político e financeiro, essas leis todas pegam", afirmou. Para ele, falar de direitos humanos é chamar a responsabilidade e o protagonismo do MP em favor das melhorias sociais. O Procurador de Justiça destacou ainda que, ao MP foi incumbido defender o regime democrático e por isso, "não queremos Promotores de Justiça com suas portas fechadas, nem burocratas do direito. O Promotor de Justiça tem que passar pelas favelas, pelos postos de atendimento à saúde com suas filas intermináveis e não se sentir bem somente porque falou no último processo. O MP deve estar junto da sociedade e há instrumentos legais para isso", aconselhou o procurador-geral complementando ainda que, "lugar de direitos humanos deve ser nos orçamentos públicos" citando que os cofres públicos devem ser utilizados para fazer cumprir os direitos da maioria.

Rubia Abes da Cruz, da Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, apresentou algumas atuações do MP em favor dos direitos da mulher. Para ela, há questões muito fortes de discriminação que devem ser tratadas pelo MP, porque ele é a primeira porta a ser procurada após a polícia em casos de violação de direitos. A educadora e millitante Vanda Gomes Pinedo apresentou questões de direitos humanos no combate ao racismo, citando os vários eixos onde se apresentam questões raciais no Brasil. Segundo ela, a titulação da terra, a saúde, a educação, os direitos da mulher, os ataques aos quilombolas e às religiões afro-descendentes demandam muito trabalho para o MP. Em seguida, Vanda, juntamente com dois representantes dos quilombolas, entregaram relatório de atividades e apelos ao presidente do CNPG, Olympio de Sá Sotto Maior, solicitando ações da Instituição em suas demandas.

O debate continuou a ressaltar a necessidade de maior diálogo entre MP e sociedade na fala de Írio Luiz Conti, presidente da FIAN Internacional. De acordo com Conti, "há uma distância histórica entre a sociedade civil e o MP, fazendo com que haja pouco acesso à informação, dificultando a interação para que os direitos humanos possam ser respeitados". Para ele, os espaços de diálogo em relação à Instituição são ínfimos diante das demandas sociais, necessitando "ampliar tais espaços em âmbito institucional não deixando relegado à algumas pessoas ou órgãos". Conti citou também algumas formas para criar canais de interação, como parcerias e outras estratégias de acordo com as perspectivas sociais e a realidade local.

Ao todo, foram mais de vinte apresentações com propostas, incluindo denúncias sobre as ações feitas contra o MST no Rio Grande do Sul, por força do MP. Ao final, Boaventura comentou esse fato, dizendo que "quando as pessoas não podem fazer uma marcha e não ter acesso à escola, não estamos em um estado de democracia. Estamos em outra coisa que não é a democracia", enfatizou. Segundo o sociólogo, a casa do FSM é o Rio grande do Sul e se as ações civis públicas não forem arquivadas, "o ar do Rio Grande do Sul torna-se irrespirável para o Fórum". Boaventura concluiu que debates como esse abre possibilidades de um futuro com espaços de direitos e ampla democracia.

* Cecília de Paiva, jornalista, revista Missões no FSM 10 anos, em Porto Alegre.

Fonte: Revista Missões