As pequenas atitudes ilustram muito bem a ética que precisamos - são como pontos luminosos que, unidos uns aos outros, formam o caráter de uma pessoa, ou de uma sociedade, sendo possível fazer uma comparação com o firmamento. Há noites com tantas estrelas que seriam como as pequenas atitudes; no meio do firmamento uma bela lua, representando um grande projeto que ilumina toda a vida. Por vezes, nesse firmamento, sobrecai uma imensa escuridão como as destoantes atitudes antiéticas.
O motivo dessa metáfora surgiu outro dia quando conversava em um grupo de amigos sobre as pequenas coisas que nem precisávamos dar tanta importância, em um dia em que estamos propensos a muitas minúcias. Há dias em que nos levantamos e cuidamos de como usar desde a pasta de dente à dobradura da colcha sobre a cama; de limpar os farelos ou respingos de gomo de laranja sobre a pia; e cuidar dos salpicos de lama que insistem em permanecer no carro branco que teimamos em mantê-lo limpo. Dessas minúcias, partimos para assuntos sobre as campanhas antifome, do comprometimento social e político que devemos ter, das afetações da alma e do corpo e dos questionamentos éticos da vida.
Fui me calando e ouvindo as defesas de cada um, quando me veio à memória a imagem do firmamento que, ao longe vemos pequenos pontos luminosos mas são grandiosos planetas e outros universos. Os procedimentos éticos são assim - pequenas ações e atitudes que representam uma grandiosidade imensa diante da sociedade. É como quando se diz “o que seria dos grandes homens, não fossem os pequenos” e ainda, “são as pequenas atitudes que se constróem as grandes idéias”.
Diria até que, sem as preocupações mínimas do dia-a-dia, não teria como resolver os grandes problemas que surgem. É o preparo do espírito lutador.
A prática da ética não é feita quando lembramos de cumprir o seu manual. Os elementos de formação do caráter pela educação, seja familiar, escolar e pela vida afora, vivenciam a ética durante cada piscar de olhos de um cidadão.
Falar de ética é fácil - difícil é lembrar a constância dela em todas as nossas ações.
"Quando secam os oásis utópicos, estende-se um deserto de banalidade e perplexidade.” J.Habermas
segunda-feira, 10 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Não é sobre filas!
Ahh! Os brasileiros e suas filas! Estão firmes e se formam desde cedo, logo na compra do pão, adentram madrugada afora nas vagas para uma consulta! Mas reclamar para quem? Dizem que é cultural. Neste país dito globalizado muitos discursam a inexistência de patrões, com incentivo para abrir o próprio negócio! Era a independência, filas nunca mais! Houve uma época que falar de qualidade total virou coqueluche do momento pelos gurus da nova ordem mundial econômica. Balela! Existem mais chefes que subordinados! Muitos mandam, poucos sabem a quem obedecer! Na verdade, existe competência só nas revistas corporativistas, a realidade é feita de indicações! Ninguém consegue vaga nem para camelô se alguém não indicar! E se fizer cara feia, a ninguém interessa o que o sujeito passou.
Pacientemente ou não, ficar três horas em uma fila faz a gente refletir um monte de situações! Ficar em fila não é sinônimo de conquistas! Por vezes, nem se consegue fazer uma consulta, nem o emprego pretendido e, no final, é mal atendido até na padaria. Filas são paredões humanos, sofridos e sem direito a reclamação porque ninguém obrigou o segundo ficar atrás do primeiro, depois chegar um terceiro,... E se reclamar, ativa a má-vontade do atendente! Faz cara feia para vê! Reclamou, bateu o punho na mesa, parede, chão ou balcão: Perigo! A pessoa atendente piora a situação do indivíduo ao insuportável. Faz ele desistir, murchar, sofrer ataques, ficar depressivo... Passo a passo, o detrás curioso olha a sua frente! O único movimento geralmente está na troca de pernas daqueles que estão em pé há horas. Ainda agradecem que a fila tem alguma formação coerente, sem aquelas rodinhas, filas duplas, acocoramentos, uns encostados, dobrados, fura-filas e todo tipo de curvas.
Com o passar do tempo, rostos murchos, desiludidos, expressão de cansaço. De vez em quando, se manifestam, zangam-se, desesperam-se e resmungam, porém ninguém os ouve sem serem surdos-mudos, ninguém os enxerga, sem serem cegos. O burburinho bate no paredão humano sem eco, sem retorno e sem vontade.
Sentada na cadeira de uma instituição pública, reflito a modalidade da fila em que me encontro: fichinha numérica na mão, fica-se livre para sentar, ir ao banheiro, distrair no ‘display’ indicativo e torcer para que ele seja menos cruel e dispare logo para chamar o número contido na ficha. Continua sendo um atendimento precário, de ignorados pela sociedade. Certa hora pensei ter ouvido frases revoltadas: – Vamos chamar a imprensa!! Vamos reclamar antes que alguém morra aqui e vire estatística! Quero ver se o prefeito vem pra esta fila! Podia vir procurar algum eleitor dele por aqui! Aí a fila ficou mais animada com tanto diálogo. Pensei em escrever uma carta pública naquela hora, citar os participantes. Mas saí do devaneio, eram diálogos meus, da minha revolta! Quando comecei a observar meus companheiros de infortúnio, percebi que falavam de programas de televisão, das feridas, dos infortúnios, falas sem sentido de grupo. Iam sendo chamados e nem olhavam para trás! Não havia nenhum lendo, nem comentando notícias. Percebi aquela apatia! A fila para todos parecia uma instituição e caso alguma notícia saísse sobre aquele caos que feria de forma silenciosa e pacata, nem entenderiam! A quem incomoda? Fiquei sem defesa tal qual pensei que indefesos eram eles... Somente eu estava incomodada?
Passadas as horas, chamaram-me a um guichê. Com cara de clemência, fui logo explicando a situação (situação esta exigida pela própria instituição onde me encontrava, que não iria mudar a minha, nem a vida do meu vizinho em nada). Depois, com cara de lesada, fiquei vendo e ouvindo carimbadas numa papelada com tudo quanto é tipo de carimbos! Dos miudinhos às pegadas de gigante. Recebi a papelada: um calhamaço com letras miudinhas e ainda ouvi a misericórdia final: retorno daqui a uma semana!
Pacientemente ou não, ficar três horas em uma fila faz a gente refletir um monte de situações! Ficar em fila não é sinônimo de conquistas! Por vezes, nem se consegue fazer uma consulta, nem o emprego pretendido e, no final, é mal atendido até na padaria. Filas são paredões humanos, sofridos e sem direito a reclamação porque ninguém obrigou o segundo ficar atrás do primeiro, depois chegar um terceiro,... E se reclamar, ativa a má-vontade do atendente! Faz cara feia para vê! Reclamou, bateu o punho na mesa, parede, chão ou balcão: Perigo! A pessoa atendente piora a situação do indivíduo ao insuportável. Faz ele desistir, murchar, sofrer ataques, ficar depressivo... Passo a passo, o detrás curioso olha a sua frente! O único movimento geralmente está na troca de pernas daqueles que estão em pé há horas. Ainda agradecem que a fila tem alguma formação coerente, sem aquelas rodinhas, filas duplas, acocoramentos, uns encostados, dobrados, fura-filas e todo tipo de curvas.
Com o passar do tempo, rostos murchos, desiludidos, expressão de cansaço. De vez em quando, se manifestam, zangam-se, desesperam-se e resmungam, porém ninguém os ouve sem serem surdos-mudos, ninguém os enxerga, sem serem cegos. O burburinho bate no paredão humano sem eco, sem retorno e sem vontade.
Sentada na cadeira de uma instituição pública, reflito a modalidade da fila em que me encontro: fichinha numérica na mão, fica-se livre para sentar, ir ao banheiro, distrair no ‘display’ indicativo e torcer para que ele seja menos cruel e dispare logo para chamar o número contido na ficha. Continua sendo um atendimento precário, de ignorados pela sociedade. Certa hora pensei ter ouvido frases revoltadas: – Vamos chamar a imprensa!! Vamos reclamar antes que alguém morra aqui e vire estatística! Quero ver se o prefeito vem pra esta fila! Podia vir procurar algum eleitor dele por aqui! Aí a fila ficou mais animada com tanto diálogo. Pensei em escrever uma carta pública naquela hora, citar os participantes. Mas saí do devaneio, eram diálogos meus, da minha revolta! Quando comecei a observar meus companheiros de infortúnio, percebi que falavam de programas de televisão, das feridas, dos infortúnios, falas sem sentido de grupo. Iam sendo chamados e nem olhavam para trás! Não havia nenhum lendo, nem comentando notícias. Percebi aquela apatia! A fila para todos parecia uma instituição e caso alguma notícia saísse sobre aquele caos que feria de forma silenciosa e pacata, nem entenderiam! A quem incomoda? Fiquei sem defesa tal qual pensei que indefesos eram eles... Somente eu estava incomodada?
Passadas as horas, chamaram-me a um guichê. Com cara de clemência, fui logo explicando a situação (situação esta exigida pela própria instituição onde me encontrava, que não iria mudar a minha, nem a vida do meu vizinho em nada). Depois, com cara de lesada, fiquei vendo e ouvindo carimbadas numa papelada com tudo quanto é tipo de carimbos! Dos miudinhos às pegadas de gigante. Recebi a papelada: um calhamaço com letras miudinhas e ainda ouvi a misericórdia final: retorno daqui a uma semana!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Artigo do Emir Sader
http://alainet.org/active/37373?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+ALEMtitulares+%28Titulares+de+America+Latina+en+Movimiento%29
Então sou esquerda
Emir Sader
Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.
Então sou esquerda
Emir Sader
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Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.
Então sou esquerda
Emir Sader
Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.
Então sou esquerda
Emir Sader
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Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
curiosidade: Rip van Winkle?
Segundo o site www.tiosam.net, van Winkle é o nome de uma narrativa curta, escrita por Washington Irving, sendo também o nome do protagonista desse conto escrito durante um estágio de Irving na Inglaterra. Conta sobre os tempos antes e após a Revolução Norte Americana, em que Rip Van Winkle foge para a floresta por pavor de sua esposa muito má. Depois de muitas aventuras, encontra uma árvore frondosa para descansar, mas adormece e só acorda vinte anos depois, regressando para sua vila. Ao chegar arruma uma baita encrenca por saudar e aplaudir George III, sem saber da revolucão que tinha derrubado a monarquia, muito menos da revolta ainda presente no povo.
Por causa desse conto, quando uma pessoa dorme muito ou de outro modo não percebe que as coisas mudaram, pode ser chamado de Rip van Winkle.
Por causa desse conto, quando uma pessoa dorme muito ou de outro modo não percebe que as coisas mudaram, pode ser chamado de Rip van Winkle.
terça-feira, 13 de abril de 2010
particularidade x democracia
Um grande amigo me disse que esse nome ZAPATILLA não combinava muito comigo ainda mais pelo som tão diferente na leitura do espanhol, sendo uma brasileira que gosta tanto do português. A mim, o som dessa palavra em espanhol embeleza muito sua escrita e provoca pensar a sonoridade de ambas as línguas. Do seu início Zeta, lembra a não existência do 'ç' tão disinto no português; do LL o som do 'cha' mesclado talvez a um j ou a um t inexistente, dependendo da dobradura da língua!
E ainda, apesar de discordar de violência, tem um manifesto revolucionário na palavra por fazer lembrar o mexicano Emiliano Zapata - sua política "Tierra y libertad"! Foi o jeito encontrado por ele para lutar por direitos e se posicionar contra a ditadura de Porfírio Diaz, o porfiriato exterminado na revolução mexicana de 1911. Tenho a impressão que os seus parceiros revolucionários usavam alpercatas, digo, zapatillas!!
Os blogs têm essa distinção - unem as escolhas entre a comunicação, o fazer-se entender, e as escolhas simbólicas de seus autores - A palavra zapatilla reforça minha latinidade e a minha condição de ir e vir, da caminhada entre as línguas e seus territórios. Reforça minha representação nata de retirante nordestino.
Não teve jeito, gostei mais ainda da palavra, gostei daqui, continuo de chinelo de dedos, alpercatas ou zapatilla mexicana! Viva os regionalismos e seus nomes locais e, em tempos de Internet, escolho o mais abrangente: Zapatilla para seguir por los camiños de america.
//
E ainda, apesar de discordar de violência, tem um manifesto revolucionário na palavra por fazer lembrar o mexicano Emiliano Zapata - sua política "Tierra y libertad"! Foi o jeito encontrado por ele para lutar por direitos e se posicionar contra a ditadura de Porfírio Diaz, o porfiriato exterminado na revolução mexicana de 1911. Tenho a impressão que os seus parceiros revolucionários usavam alpercatas, digo, zapatillas!!
Os blogs têm essa distinção - unem as escolhas entre a comunicação, o fazer-se entender, e as escolhas simbólicas de seus autores - A palavra zapatilla reforça minha latinidade e a minha condição de ir e vir, da caminhada entre as línguas e seus territórios. Reforça minha representação nata de retirante nordestino.
Não teve jeito, gostei mais ainda da palavra, gostei daqui, continuo de chinelo de dedos, alpercatas ou zapatilla mexicana! Viva os regionalismos e seus nomes locais e, em tempos de Internet, escolho o mais abrangente: Zapatilla para seguir por los camiños de america.
//
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Notícias do MPF - Caso Verón
Em relação ao material publicado pela assessoria do Ministério Público Federal (MS), a notícia ruim é o adiamento do julgamento dos reús, a parte muito boa é a mudança de foro. Vale a pena ler isso - considero uma vitoria grande ver que é possivel serem feitos julgamentos mais isentos, buscando diminuir os interesses particulares que imperam em uma região. Tendo o 'nosso juiz' odilon, o mais brasileiro dos juízes em meio a isso, acredito na intenção, torcendo para que aconteça isso mais vezes, principalmente em relação aos crimes que acontecem na região da grande Amazonas.
A Justiça Federal de São Paulo decidiu, nesta segunda-feira (12/04), adiar para o próximo dia
3 de maio, às 11h, o júri de três funcionários da Fazenda Brasília do Sul, no município de Juti,
na região de Dourados, em Mato Grosso do Sul, acusados de matar a pauladas o cacique
Marcos Veron, então com 72 anos, conhecido líder dos índios Guarani-Kaiowá e de tentar
matar outros seis indígenas, entre os dias 12 e 13 de janeiro de 2003.
O júri foi adiado após o advogado Josephino Ujacow, que comanda a defesa dos réus, ter
apresentado atestado subscrito pelo Médico Psiquiatra Antonio Carlos G. Queiroz, declarando
que o advogado estava sob seus “cuidados profissionais, sob psicoterapia armada”, devendo
afastar-se de atividades profissionais por 20 dias.
O adiamento frustrou as expectativas não só da comunidade indígena Takuara, mas de toda a
comunidade indígena do Estado de Mato Grosso do Sul, que aguarda há mais de sete anos a solução do caso.
A juíza Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Federal de São Paulo, que presidirá o júri, apesar da presença de outros advogados de defesa, aceitou o atestado e remarcou o julgamento para 3 de maio, mas informou a todos os presentes que, caso algum dos defensores habilitados não compareça à próxima audiência, a defesa será assumida por membros da Defensoria Pública da União, a quem foi determinado que tome ciência dos autos.
No caso Veron, os réus Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde serão submetidos a júri popular. O quarto acusado, Nivaldo Alves Oliveira, está foragido, e o processo em relação a ele foi desmembrado e suspenso. Os denunciados ficaram presos preventivamente por quase 4 anos e 6 meses, tendo sido soltos por meio de um habeas corpus concedido pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal. Foi relator o ministro Gilmar Mendes, que reconheceu excesso de prazo na prisão preventiva. O MPF ofereceu ainda uma segunda denúncia no caso, em outubro de 2008, contra outras 24 pessoas envolvidas no crime.
Foram designados pela Procuradoria Geral da República para atuar no caso os procuradores da República Marco Antônio Delfino de Almeida (PR-MS) e Vladimir Aras (PR-BA). A Funai foi admitida como assistente de acusação e será representada no júri pelo procurador federal Derly Fiuza.
“Há um grande preconceito contra os índios, com se houvesse um conflito entre o modo de vida indígena e o agronegócio, que é muito forte naquela região”, afirma Aras. Esse conflito se acentua, na avaliação do procurador, à medida que o agronegócio se expande e os índios intensificam a luta pelas terras que consideram como tradicionais.
Segundo argumentou o MPF, existe um forte preconceito contra o povo indígena por parte de membros importantes da sociedade sul-mato-grossense. Entre as críticas aos indígenas, proferidas pela Assembleia Legislativa apenas dois meses após a morte de Veron, estava o fato de os índios terem enterrado o líder na própria área ocupada, o que ocorreu sob o amparo
de uma decisão da Justiça Federal proferida em resposta a uma Ação Civil Pública do MPF e,por esse motivo, a instituição também foi criticada por "apoiar indistintamente as invasões de terras privadas".
Acusações
Além do homicídio duplamente qualificado pelo motivo torpe e meio cruel (o cacique foi morto a golpes na cabeça), o MPF e a Funai sustentarão a ocorrência de um crime de tortura, seis tentativas qualificadas de homicídio, seis crimes de sequestro, fraude processual e formação de quadrilha.
O processo começou na Justiça Federal de Dourados (MS) e foi conduzido desde o início pelos procuradores da República Charles Stevan da Mota Pessoa e Ramiro Rockenbach da Silva.
A Justiça Federal foi firmada competente com base nos artigos 109 e 231, da Constituição,pois o crime ocorreu em virtude de disputa sobre direitos indígenas, uma vez que o grupo de Veron reivindicava a anexação da área da fazenda à terra indígena, processo que estava sob a competência da Funai, órgão ao qual compete demarcar a terra indígena, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
A acusação do MPF foi recebida pelo juiz federal Odilon de Oliveira, que determinou que os réus fossem submetidos à júri popular. Com a transferência do júri para São Paulo, passa a presidí-lo a juíza Paula Mantovani Avelino. A investigação policial foi realizada pelo DPF João
Carlos Girotto, que foi arrolado como testemunha do MPF para o plenário. Outras onze pessoas serão ouvidas como testemunhas da acusação, entre as quais sete vítimas do ataque. Oito cidadãos prestarão depoimento como testemunhas da defesa.
Caso raro
Apesar de os acusados pelo assassinato de Marcos Veron irem a julgamento, em Mato Grosso do Sul existem diversos outros casos de violência contra indígenas que não tiveram o mesmo destino.
Em novembro de 2010, dois professores indígenas da etnia guarani-kaiowá desapareceram após ocupação de uma fazenda em Paranhos, fronteira com o Paraguai. Apenas o corpo de um deles foi encontrado.
Em 18 de setembro de 2009, um grupo armado atacou um acampamento Guarani, às margens da BR-483, na região conhecida como Curral do Arame, a dez quilômetros de Dourados (MS). Um índio de 62 anos foi ferido por tiros, outros indígenas foram agredidos e barracos e objetos foram queimados. Não se conhecem ainda os autores do ataque.
Indígenas da etnia Terena, que ocupavam área tradicional onde incide a fazenda Querência São José, em Dois Irmãos do Buriti, gravaram em vídeo e áudio ação de despejo realizadapela Polícia Militar, sem ordem judicial de reintegração de posse. A ação ocorreu em 19 novembro de 2009.
Em dezembro de 2009, indígenas da etnia Terena, que retomaram parte da fazenda Petrópolis, que faz parte da área declarada pelo Ministério da Justiça como Terra Indígena Cachoeirinha, em Miranda, denunciaram ter sofrido ameaças depois que o TRF-3 suspendeu ordem de reintegração de posse. O STF determinou a desocupação da área, mas os indígenas pedem prazo para colher as lavouras já cultivadas.
Para o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida, “todos os casos apontados mostram que infelizmente a violência contra povos indígenas não é um fato isolado nem uma questão ultrapassada. O que se espera do poder público e do Judiciário é uma ação imparcial para que ocorra a efetiva proteção dos povos indígenas”
Com informações da PR-SP e Justiça Federal de São Paulo
Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul
(67) 3312 7265/ 3312 7283 / 9297 1903
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Júri sobre a morte do cacique Veron é adiado para maioAdvogado não compareceu ao júri, alegando problemas de saúde
A Justiça Federal de São Paulo decidiu, nesta segunda-feira (12/04), adiar para o próximo dia
3 de maio, às 11h, o júri de três funcionários da Fazenda Brasília do Sul, no município de Juti,
na região de Dourados, em Mato Grosso do Sul, acusados de matar a pauladas o cacique
Marcos Veron, então com 72 anos, conhecido líder dos índios Guarani-Kaiowá e de tentar
matar outros seis indígenas, entre os dias 12 e 13 de janeiro de 2003.
O júri foi adiado após o advogado Josephino Ujacow, que comanda a defesa dos réus, ter
apresentado atestado subscrito pelo Médico Psiquiatra Antonio Carlos G. Queiroz, declarando
que o advogado estava sob seus “cuidados profissionais, sob psicoterapia armada”, devendo
afastar-se de atividades profissionais por 20 dias.
O adiamento frustrou as expectativas não só da comunidade indígena Takuara, mas de toda a
comunidade indígena do Estado de Mato Grosso do Sul, que aguarda há mais de sete anos a solução do caso.
A juíza Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Federal de São Paulo, que presidirá o júri, apesar da presença de outros advogados de defesa, aceitou o atestado e remarcou o julgamento para 3 de maio, mas informou a todos os presentes que, caso algum dos defensores habilitados não compareça à próxima audiência, a defesa será assumida por membros da Defensoria Pública da União, a quem foi determinado que tome ciência dos autos.
Caso transferidoO caso foi desaforado do Mato Grosso do Sul para São Paulo, a pedido do Ministério Público Federal, por dúvida quanto à isenção dos jurados locais, argumento aceito pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, devido ao notável preconceito da população e autoridades locais com os índios. Este foi o terceiro caso de desaforamento interestadual do Brasil. Os dois primeiros ocorreram no julgamento do ex-deputado federal Hildebrando Pascoal. Dois de seus júris federais foram transferidos de Rio Branco (AC) para Brasília
No caso Veron, os réus Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde serão submetidos a júri popular. O quarto acusado, Nivaldo Alves Oliveira, está foragido, e o processo em relação a ele foi desmembrado e suspenso. Os denunciados ficaram presos preventivamente por quase 4 anos e 6 meses, tendo sido soltos por meio de um habeas corpus concedido pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal. Foi relator o ministro Gilmar Mendes, que reconheceu excesso de prazo na prisão preventiva. O MPF ofereceu ainda uma segunda denúncia no caso, em outubro de 2008, contra outras 24 pessoas envolvidas no crime.
Foram designados pela Procuradoria Geral da República para atuar no caso os procuradores da República Marco Antônio Delfino de Almeida (PR-MS) e Vladimir Aras (PR-BA). A Funai foi admitida como assistente de acusação e será representada no júri pelo procurador federal Derly Fiuza.
“Há um grande preconceito contra os índios, com se houvesse um conflito entre o modo de vida indígena e o agronegócio, que é muito forte naquela região”, afirma Aras. Esse conflito se acentua, na avaliação do procurador, à medida que o agronegócio se expande e os índios intensificam a luta pelas terras que consideram como tradicionais.
Segundo argumentou o MPF, existe um forte preconceito contra o povo indígena por parte de membros importantes da sociedade sul-mato-grossense. Entre as críticas aos indígenas, proferidas pela Assembleia Legislativa apenas dois meses após a morte de Veron, estava o fato de os índios terem enterrado o líder na própria área ocupada, o que ocorreu sob o amparo
de uma decisão da Justiça Federal proferida em resposta a uma Ação Civil Pública do MPF e,por esse motivo, a instituição também foi criticada por "apoiar indistintamente as invasões de terras privadas".
Acusações
Além do homicídio duplamente qualificado pelo motivo torpe e meio cruel (o cacique foi morto a golpes na cabeça), o MPF e a Funai sustentarão a ocorrência de um crime de tortura, seis tentativas qualificadas de homicídio, seis crimes de sequestro, fraude processual e formação de quadrilha.
O processo começou na Justiça Federal de Dourados (MS) e foi conduzido desde o início pelos procuradores da República Charles Stevan da Mota Pessoa e Ramiro Rockenbach da Silva.
A Justiça Federal foi firmada competente com base nos artigos 109 e 231, da Constituição,pois o crime ocorreu em virtude de disputa sobre direitos indígenas, uma vez que o grupo de Veron reivindicava a anexação da área da fazenda à terra indígena, processo que estava sob a competência da Funai, órgão ao qual compete demarcar a terra indígena, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
A acusação do MPF foi recebida pelo juiz federal Odilon de Oliveira, que determinou que os réus fossem submetidos à júri popular. Com a transferência do júri para São Paulo, passa a presidí-lo a juíza Paula Mantovani Avelino. A investigação policial foi realizada pelo DPF João
Carlos Girotto, que foi arrolado como testemunha do MPF para o plenário. Outras onze pessoas serão ouvidas como testemunhas da acusação, entre as quais sete vítimas do ataque. Oito cidadãos prestarão depoimento como testemunhas da defesa.
Caso raro
Apesar de os acusados pelo assassinato de Marcos Veron irem a julgamento, em Mato Grosso do Sul existem diversos outros casos de violência contra indígenas que não tiveram o mesmo destino.
Em novembro de 2010, dois professores indígenas da etnia guarani-kaiowá desapareceram após ocupação de uma fazenda em Paranhos, fronteira com o Paraguai. Apenas o corpo de um deles foi encontrado.
Em 18 de setembro de 2009, um grupo armado atacou um acampamento Guarani, às margens da BR-483, na região conhecida como Curral do Arame, a dez quilômetros de Dourados (MS). Um índio de 62 anos foi ferido por tiros, outros indígenas foram agredidos e barracos e objetos foram queimados. Não se conhecem ainda os autores do ataque.
Indígenas da etnia Terena, que ocupavam área tradicional onde incide a fazenda Querência São José, em Dois Irmãos do Buriti, gravaram em vídeo e áudio ação de despejo realizadapela Polícia Militar, sem ordem judicial de reintegração de posse. A ação ocorreu em 19 novembro de 2009.
Em dezembro de 2009, indígenas da etnia Terena, que retomaram parte da fazenda Petrópolis, que faz parte da área declarada pelo Ministério da Justiça como Terra Indígena Cachoeirinha, em Miranda, denunciaram ter sofrido ameaças depois que o TRF-3 suspendeu ordem de reintegração de posse. O STF determinou a desocupação da área, mas os indígenas pedem prazo para colher as lavouras já cultivadas.
Para o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida, “todos os casos apontados mostram que infelizmente a violência contra povos indígenas não é um fato isolado nem uma questão ultrapassada. O que se espera do poder público e do Judiciário é uma ação imparcial para que ocorra a efetiva proteção dos povos indígenas”
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domingo, 11 de abril de 2010
Meditação
um dia uma criança me parou, olhou-me nos meus olhos a sorrir, caneta e papel na sua mão: tarefa escolar para cumprir. E perguntou no meio de um sorriso o que é preciso para ser feliz. Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, Viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia,Sorrir como Jesus sorria, E ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz.
Essa letra do padre zezinho dá o recado completo. É oração e política. Jesus nos apresentou o nível mais alto da política que queremos ter e essa letra aponta a responsabilidade do que se faz. Mas, ao mesmo tempo, lembra-nos que não se faz sofrendo nem fazendo tudo a ferro e fogo. É uma canção tão bonita e tão certeira que só de lembrar já é uma oração.
Dia de domingo faço uma reflexão, mínima que seja, mas quase sempre encontro sintonia e encanto. É um dia de passeios dominicais em que se vê muitos sorrindo, cheios de energia, não estão nem aí para o que se faz nos outros dias da semana. É ótimo dar uma volta e sentir o cheiro de domingo no ar, apesar de tantas tristezas que vemos pelas tragédias em que os jornalistas culpam o clima!
Que culpa tem o clima quando há tanta responsabilidade e nomes para listar?
Essa música do padre zezinho inquieta qualquer um - cobra duro e já diz que só se dorme feliz se estivermos cansados por provocar alguma mudança. Nessas horas fico com dificuldade de pensar como se consegue rezar o dia inteiro, ou ficar horas em uma meditação! Pelo visto estou longe desse nível.
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