terça-feira, 13 de julho de 2010

Pastoral Afro no Brasil

Publicação interessante:
http://www.revistamissoes.org.br/artigos/ler/id/1088
http://www.cnbb.org.br/site/afro-brasileira/4082-a-superacao-do-racismo

A superação do racismo

Apesar de ter conquistado espaço, a Pastoral Afro no Brasil enfrenta resistência mesmo naquelas questões que estão de acordo com os documentos e com o magistério da Igreja. Essa é a opinião de dom Gilio Felicio, o primeiro negro a chegar ao episcopado na arquidiocese de Salvador, na Bahia, em 1998, onde criou a Pastoral Afro. Poucos meses depois foi transferido para a cidade de Cruz das Almas, a 160 quilômetros da capital baiana. Gaúcho de Lageado, diocese de Santa Cruz do Sul, dom Gilio, em 2002 passou a ser o bispo de Bagé, RS. Desde a década de 80 acompanha e participa do Movimento Negro Católico junto aos Agentes Pastorais Negros. Em 1989 começou a participar do Instituto MARIAMA, uma articulação nacional de padres, bispos e diáconos negros, do qual foi presidente por dois mandatos. Foi até 2007 o bispo coordenador da Pastoral Afro-Brasileira, na CNBB. Participando do XVI Congresso Eucarístico Nacional, realizado logo após o término da 48ª Asssembleia Geral da CNBB, em Brasília, dom Gilio falou à revista Missões.


Qual a sua avaliação sobre a última Assembleia Geral dos Bispos do Brasil?

Foi uma grande benção para nós, bispos, que pudemos nos encontrar e fazer um rica convivência em Brasília pensando as coisas que são realizadas neste coração do Brasil, que definem a vida e a missão do país para o dinamismo interno e as relações internacionais. Evidentemente, a Igreja tem uma mensagem muito rica a apresentar para que de fato o país consiga formar uma comunidade, uma pátria amada, humanamente equilibrada, espiritualmente forte, vocacionalmente fecunda e com um desenvolvimento integral para todos. Analisamos e procuramos apresentar nosso posicionamento diante desta proposta em relação à defesa dos direitos humanos, reafirmando a posição da Igreja. Ao mesmo tempo aprovamos encaminhamentos a respeito da consideração e atitude dos brasileiros diante do uso dos recursos que a natureza oferece. Lembramos a necessidade urgente da reforma agrária, da política agrícola. Encaminhamos propostas para que a CNBB tenha na sua literatura elementos que farão as comunidades refletirem, rezarem e ajudarem os governantes.

A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja e as CEBs também foram temas refletidos?

A escolha de um grande tema prioritário é para fazer com que as comunidades sejam conhecidas, estimadas e fortalecidas na missão importantíssima que têm, de ser centro de evangelização e ao mesmo tempo centros de fortalecimento da consciência cidadã e também uma fonte de garantia de uma construção a partir dessas pequenas células de uma sociedade viva, justa e fraterna. Estas são comunidades que têm também a vocação de favorecer a partir da meditação da Palavra de Deus a oração e o compromisso com os desafios, fortalecer a cultura vocacional. Isto é, na medida em que as dioceses forem favorecendo as pequenas comunidade, as CEBs e também as novas comunidades, nós teremos um serviço eficaz para o despertar das várias vocações que favoreçam uma Igreja Povo de Deus toda ministerial.

Dizem que no Brasil não há racismo. Por que então há tão poucos padres e bispos negros brasileiros?

Esta é uma questão que de certa forma foi abordada e a Assembleia aconteceu enquanto o Brasil, de certa forma comemorou, mas também procurou mostrar o significado do 13 de maio, que oficialmente é proclamado como o Dia da Abolição da Escravatura. A CNBB elaborou um documento lembrando que na memória de mais um aniversário da Abolição deve-se fazer uma reflexão muito grande. Em primeiro lugar, a Igreja precisa continuar essa caminhada bonita de libertação dos condicionamentos que foram criados no tempo da escravidão e, portanto, dos mecanismos de exclusão dos valores africanos e afro-descendentes. Ao mesmo tempo, a Igreja, a partir do Documento de Aparecida, deve lutar para conhecer, assumir, estimar e promover os valores afro-descendentes. E, claro, colocar a sua missão cristã a serviço dos negros e negras que estão necessitando de uma força, de auto-estima, do dom de Deus presente na negritude, necessitando de políticas afirmativas, enfim, de serem atendidos nas suas carências, em seus gritos por socorro, mas ao mesmo tempo, no sentido de poderem participar e oferecer, como dizia o papa João Paulo II, em Santo Domingo, os seus valores culturais para enriquecer a Igreja e a sociedade.

Como está organizada a Pastoral Afro no Brasil?

No Brasil nós temos um Secretariado de Pastoral Afro, que marca presença na sede da CNBB junto ao Conselho de Assessoria da Ação Evangelizadora da Igreja. Este Secretariado acompanha e assessora a Pastoral Afro que está presente em quase todas as dioceses do país. Evidentemente, essa Pastoral está ligada ao Secretariado Latino-Americano e Caribenho de Pastoral Afro – SEPAFRO, do qual sou o responsável. Esse Secretariado seria a Seção Afro-Americana e faz parte do Departamento de Educação e Cultura do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM.

A Pastoral Afro encontra certa resistência em algumas dioceses. Quais seriam as maiores dificuldades?

Várias dioceses ainda não iniciaram essa pastoral exatamente em virtude desses condicionamentos da época da escravidão e da situação que pesa ainda na sociedade e na Igreja, do racismo, da discriminação racial e assim por diante. Percebemos na sociedade brasileira boa vontade com vários Centros e Entidades até em nível ministerial que estão trabalhando em favor da população negra. Mas há um longo caminho de superação desse condicionamento racista. Também, uma das dificuldades que encontramos na Igreja é a questão do diálogo ecumênico e inter-religioso. Nesse diálogo, nós não podemos fugir dos interlocutores que pertencem às religiões de matrizes africanas. Quando se estabelecem os encaminhamentos, quando esses diálogos começam, há uma resistência bastante grande. Um sonho que a Igreja tem é a inculturação da sua ação evangelizadora. Esse caminho também é bastante espinhoso, com muitas incompreensões. Evidentemente que a caminhada que se faz não é perfeita, mas há uma resistência mesmo naqueles passos que são dados e que estão absolutamente de acordo com os documentos e com o magistério da Igreja.

Se a Eucaristia é mistério tão poderoso, para suscitar a Missão, o que enfraquece o dinamismo missionário de tantos cristãos?

O pano de fundo é exatamente o que diz o Documento de Aparecida quando fala da profundidade e da verdade do Encontro com o mistério de Jesus Cristo. Na medida em que isso acontece verdadeiramente, a Ação Evangelizadora se torna eficaz. Vemos isso em outras confissões religiosas: mesmo não entendendo o mistério, as pessoas simples, entusiasmadas dão um recado que toca o coração da sociedade. Na medida em que os diversos ministérios dentro da Igreja se entusiasmarem e se deixarem dinamizar pela força do Espírito Santo na vivência da vontade de Deus, concretizando a Boa Nova de Jesus Cristo, tranquilamente acontece muita coisa bonita. Eu tenho várias experiências em periferias, nas quais muitas vezes o padre não vai, mas, alguma pessoa simples se entusiasma e vai deixando que esta luz toque o coração da vizinhança e de repente surge uma Comunidade de Base ou um movimento eclesial que passa a estabelecer uma novidade, às vezes transformando todo um edifício numa comunidade. Nem sempre o ministério ordenado dá conta da evangelização que deve acontecer. Os leigos têm um protagonismo que nós não podemos desprezar, embora, na nossa tradição católica é importantíssimo que tenhamos uma abundância do ministério ordenado.

Jaime Carlos Patias, imc, é diretor da revista Missões. Publicada na revista Missões, N. 7 Jul-Ago 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Crítica de mídia

Entre a Copa e as eleições, o silêncio da apuração
Cecília de Paiva, mestranda em comunicação

Artigo publicado no Observatório Plural http://www2.faac.unesp.br/blog/obsmidia/2010/06/29/entre-a-copa-e-as-eleicoes-o-silencio-da-apuracao/
e Revista Missões - http://www.revistamissoes.org.br/artigos/ler/id/1075

No dia 11 de maio de 2010, a mídia, em todos os seus segmentos, noticiou a chacina de seis moradores de rua na região do Jaçanã, em São Paulo. O acontecimento foi explorado até o dia seguinte nos jornais de todo o Brasil, entre mídia eletrônica, impressa e digital. Depois disso, o silêncio da apuração.

Diante do segundo semestre de 2010, entre duas das grandes pautas midiáticas – a Copa do Mundo e as eleições presidenciais, não poderíamos deixar de refletir acerca da ausência de muitas outras pautas no cotidiano dos meios de comunicação, principalmente no que se refere à apuração de crimes, como a chacina de Jaçanã, que ocorreu na véspera da convocação da Seleção brasileira na Copa.

Começou aí toda a atenção para a Copa, entre coletivas, programas de rádio e televisão, enquetes, debates e diversas manifestações nas comunidades da Internet. A lista era composta por jogadores conhecidos da mídia, e cada característica deles motivou novas pautas Brasil afora, apresentando suas histórias de vida, familiares, lugares e comunidades onde haviam jogado e vivido.

Naquele dia, em relação à chacina, os diversos tipos de mídia utilizaram a linha do anonimato para os envolvidos, destacando os termos “os moradores de rua”, “os homens assassinados”, “as pessoas assassinadas”. Os assassinos foram caracterizados apenas como “homens armados” ou “cinco homens em três motos”, como em matéria da Folha de S. Paulo. Durante a semana, poucos acréscimos se fizeram: a morte da quinta e da sexta vítimas ocorreu depois, sendo uma delas no hospital. Noticiado como mais um entre tantos acontecimentos da madrugada, nada se sabe do prosseguimento das investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, DHPP, sob encargo do delegado Luís Fernando Lopes Teixeira, como divulgado na época. Foi suficiente dizer que havia suspeita de envolvimento das vítimas com drogas e bastou.

A ocorrência desse tipo de crime deve suscitar investigações em todas as dimensões do assunto, incluindo o envolvimento das conjunturas sociais até que se esgote o tema. Seja por vingança ou não, representou um caso em meio a vários que envolvem as pessoas que supostamente vivem nas ruas. Na condição indefesa em que se encontram, tais pessoas são, literalmente, alvo fácil para serem assassinadas e até queimadas, como o foi o pataxó Galdino em Brasília.

Entre duas pautas de tanta atenção como a Copa e as eleições, é possível perceber um jornalismo acanhado na defesa do direito à informação. Omissões jornalísticas provocam a morte prematura de pautas, imprensadas entre a agitação midiática e o silêncio de assuntos que demandam averiguações.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

espaço eleitoral

Menos brilho na copa. agora vem as eleições e já estou admirada pelo tanto de babões à sombra dos políticos.
Hoje a Dilma em Bauru foi de assustar.. estou sem palavras pela turba que a acompanha.
Vou ficar de olho é na Marina, torcendo para dar de virada. E ela dá pouca confiança a babões..

terça-feira, 25 de maio de 2010

Dia de jacaré

Em um dia de campo, pleno domingo, estava a passeio com parentes e amigos admirando a paisagem. Enquanto caminhava me deparei com um lago perfeito... tão calmo:
- Parece ótimo dar um mergulhinho e relaxar. Disse e já fui entrando borda a dentro.
- Ei.. você não sabe desse lago? Nem um Indiana Jones sobrevive. Não passa do primeiro minuto aí dentro. Não entre aí - gritou alguém.
Já era. E logo no primeiro submergir eu vi o que significava o alerta: jacarés.
Era um lago recheado deles, todos muito grandes e com a boca maior ainda, vinham deslizando rapidamente na minha direção. Na primeira coisa que encontrei subi em cima e comecei a correr. Digo nadar... ou era remar?
No primeiro momento não compreendi se era uma prancha ou um daqueles caiaques, ou algo parecido, só sei que tinha que me movimentar antes que fosse abocanhada. Olhava pra um, desviava, já havia outro me encarando. Eram mais de três ao mesmo tempo e, enquanto manobrava para desviar, lá estavam mais quatro a minha frente.
Quando vi que eram dois de boca aberta e um outro dando meia volta para me encarar melhor, em um segundo me vi segurando o rabo desse que me dera as costas. Era a arma que precisava. Não sei que forças tive, mas, segurando firme a ponta do rabo do jacaré desavisado, fui batendo nas outras cabeças que pensavam que eu ia ser o petisco do dia. De desviada em desviada até conseguir sair do lago sem descer da prancha, que agora estava nítida e me ajudava a deslisar e a bater sem parar no que via de boca aberta à minha frente.
Foi tão rápida a saída quanto fora a minha entrada.
Na superfície, todos olharam para mim sem entender muito o que se passara, e os que haviam testemunhado aquilo, sem reagir diante de tanta manobra que eu devia ter feito, muito mais do que a de um filme de aventuras do senhor Jones.
- Não minha gente, isso não merece elogio, porque fui precipitada ao entrar em um lago quieto demais e que, com tanta gente por perto, devia antes ter perguntado porque estava sem ninguém dentro. - Mas isso falei bem baixo e já saí dali para diminuir a tensão e o susto que havia quebrado a calmaria do dia.

Rapidamente me troquei e mais apressada, segui rumo ao aeroporto. Tinha um vôo marcado para dali a meia hora... Sem táxi por perto, entrei no primeiro ônibus que encontrei. Agora só restavam quinze minutos... Mas era tempo suficiente para correr escadaria abaixo e acima, mas por certo chegaria!

Acordei!
Ontem não assisti a nenhum filme de aventura, só estou fazendo anotações para a dissertação...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ciclovia

...antes de falar em construir ciclovias, falta considerar o ciclista como um cidadão.
Hoje um carro do tipo sedan passou rente ao meio-fio por onde eu estava e fui empurrada na marra para fora do percurso em que prosseguia, como uma matéria insignificante e sem direitos.
Foi uma batida leve e sem barulho pelo menos para a motorista - ainda deu para perceber que era uma distinta senhora em seu carro último tipo. Bateu o espelho retrovisor no meu corpo - causou em mim um susto desagradável - contudo, a motorista prosseguiu sem nenhuma reação, parecendo nem perceber a dobrada do espelho retrovisor do lado do carona, deixando menos uma possibilidade de visão da triste cidadã.

Imaginei os trabalhadores que usam esse tipo de transporte todos os dias em Bauru, obrigados a cumprirem horários, e a chegar nos seus locais de trabalho para as suas tarefas. Observei vários deles - pois era hora do "rush" - fazendo malarismos e solidários com a minha "empurrada" e reprovando a dita cuja que prosseguiu em seu "carrão".
O que podíamos fazer? É igual ao caso da mulher que foi assaltada dentro da delegacia, lutou com os assaltandos e o delegado ficou olhando, pensando que era briga de marido e mulher: será que ainda podemos pelo menos RECLAMAR PRO BISPO? como a mulher falou na entrevista?

Falta participação pública, reclamação continuada, mexer com os colhões do poder para que sejam cumpridos os direitos básicos de cidadania, com políticas sérias, fortalecidas e compreensíveis por todos.

Ciclista não é considerado cidadão pelo poder público nem por pessoas que usam outros tipos de transportes que, se podem, passam por cima. Falta solidariedade entre aqueles que, sendo também usuários do trânsito, poderiam somar forças para que as intervenções públicas contribuam para o cumprimento de direitos e promoção de melhorias na sociedade.

Falta a ciclovia do respeito pelo outro.

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domingo, 16 de maio de 2010

texto bom de ler

reflexão é bom e eu gosto!!..

---------------------------------------------------------------------------Olho quem me olha
Frei Betto

Imagine uma prisão redonda como o estádio do Maracanã. Há vários andares de celas. Nenhuma possui porta, de modo que um único carcereiro, situado na guarita no centro da construção circular, controla sozinho o movimento de centenas de prisioneiros.

Este o modelo panótico de Bentham, descrito por Michel Foucault em Vigiar e Punir. Muitas penitenciárias o adotaram. Tive oportunidade de visitar uma delas, na Ilha da Juventude, em Cuba, construída antes de Revolução e, hoje, desativada.

Vivemos agora numa sociedade panótica. Em qualquer lugar que nos encontramos, um olho nos vê. Somos vistos; quase nunca vemos quem nos vê. Não me refiro apenas às câmeras discretas ou ocultas em ruas e prédios, elevadores e lojas. O mais poderoso olho é a TV, exatamente esse aparelho que julgamos decidir quando e o que veremos.

Ligamos a TV motivados por seu olho invisível; ele suscita em nós essa atitude. Antes de a emissora colocar no ar uma peça publicitária ou um programa, vários testes são realizados, de modo a assegurar ao anunciante ou patrocinador o êxito de audiência. Conhece-se o olhar alheio através de exaustivas pesquisas de opinião.

Isso influi inclusive na (des)qualidade da arte. Agora, o artista não cria a partir de sua subjetividade e imaginação. Antes, procura satisfazer o olhar do público. Ele se olha pelo olho do consumidor de sua obra. Sua fonte de inspiração não reside na ousadia de romper e ultrapassar a linguagem estética que o precede, de expressar os anjos e demônios que lhe povoam a alma, e sim na vontade de agradar o público, criar um mercado de consumo para a sua obra, ainda que à custa de banalizar o próprio talento. O olho promissor do mercado configura seu olhar no ato criativo.

Todo esse processo foi expressivamente tratado em obras como 1984, de George Orwell (1949), e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury (1953), filmado em 1966 por François Truffaut. O fenômeno atual mais expressivo é o Big Brother, que promove arrebanhamento dos telespectadores, faz todos se sentirem irmãos, igualizados pela imbecilidade voyeurista de observar o ritual canibalizador que ocorre no interior da casa.

Induzidos por esse sentimento egogregário, perdemos a singularidade. O olho do Grande Irmão nos olha peremptoriamente e nos exige um comportamento de rebanho humano.

Outrora havia uma economia de bens materiais institucionalmente separada de uma economia de bens espirituais. Desses últimos cuidavam padres e pastores, intelectuais e professores, artistas e escritores.

Agora, a indústria de entretenimento se encarrega da produção de bens espirituais, integrando-nos na família televisual. O avatar nos chega pela janela eletrônica. Os novos bens espirituais já não imprimem sentido altruísta às nossas vidas, e sim motivações egóticas de acesso ao mercado de produtos supérfluos, fama, beleza e riqueza. Somos impelidos a consumir, não a refletir. Sempre mais acríticos, nos tornamos ventríloquos manipulados pela ideologia midiática que repudia a solidariedade e exalta a competitividade.

Em A doce vida, filme de Fellini, a última cena mostra o fim da noite boêmia de gente da alta burguesia. Caminham todos, tropegamente, por um bosque em direção ao mar. Ao chegar à praia, a ébria alegria se choca com o imenso olho inerte de um monstro marinho (uma imensa água-viva) que os pescadores arrastam rumo à areia.

O olho olha aquela gente e gera angústia e medo, como se a despisse de sua falsa alegria e a interpelasse no fundo da alma.

É este olho crítico que tanto tememos. E quando ele emerge, os oráculos do sistema neoliberal tratam de tentar cegá-lo e afundá-lo. Ele ameaça porque funciona como espelho no qual o nosso olhar reverbera e olha a mediocridade na qual estamos atolados, movidos como rebanho pelo Grande Imã – o entretenimento televisivo centrado do estímulo ao consumismo.



- Frei Betto é escritor, autor de “Maricota e o mundo das letras”, lançamento infanto-juvenil da editora Mercuryo Jovem.
Copyright 2010 – FREI BETTO - É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)

http://alainet.org/active/38213?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+ALEMtitulares+%28Titulares+de+America+Latina+en+Movimiento%29
Estou falando mais do mesmo...
Começo um algo, termino um outro...
Teimo menos, faço mais...
Corro devagar, descanso acelerado, volto para a escrita,
Aposto sem medo, aumento minha calma.
Parei tudo e me sinto vazia. Retomo tão logo parei.
vou escrever sobre tudo, adequar a linguagem, depois escrevo para mim..